quarta-feira, 14 de maio de 2008

Sem açucar, com afeto


Se eu tivesse que escolher um prato com gosto de felicidade, ficaria dividida entre a sopa de ouro da minha mãe (sopa de legumes batida no liqüidificador, que eu comia com uma colher torta para não me babar) e a polenta mole da Tia Mabel.

Uma vez, em um daqueles verões de quatro meses na praia que não existem mais, passei uma semana em Santa Terezinha, com a tia Mabel. Foram sete almoços a base de polenta mole. E não era por falta de opção. Eu que pedia, e esse cardápio virou uma das lendas da família.

Anos depois eu viria a provar funghi, manjericão (no Carnaval de 1999, ouvi que era a oitava maravilha do mundo e fiz cara de paisagem, não sabendo do que se tratava), frutos do mar de aparência duvidosa. Adorei tudo. Mas a polenta mole, com tão pouca graça quanto nutrientes, ganhou lugar cativo na memória afetiva.

Parêntese gigante: (esses dias fui jantar no La Caceria, do hotel Casa da Montanha, em Gramado. Entre perdizes, javalis e outras "carnes nobres", o que me fez babar mesmo foi a lasanha de polenta com presunto parma e queijo ementhal).

Hoje resolvi fazer a polenta da foto acima, para acompanhar um guisadinho que inventei ontem. Não ficou boa como a da Tia Mabel, ou talvez não seja lá uma boa idéia remexer nos gostos do passado. De qualquer forma, já estou à espera da remessa de sopa de ouro que minha mãe manda todos os invernos. E de preferência com colher torta, porque continuo tão babona quanto eu era 27 anos atrás.

3 comentários:

Joelma disse...

Vendo a foto, sem ler o post, eu achei que era uma pizza de brigadeiro. (aqui entraria a expressão datada "pronto, falei")
...
Lambi os beiços pensando nessa tal sopa da tua mãe, Lari. Especialmente a parte da colher torta. parece que deixa a sopa ainda mais saborosa. :)

Nadia Baumgarten disse...

Tem isso mesmo, Lari... às vezes, é bom não "remexer nos gostos do passado", deixá-los na doce memória.

Beijocas, querida, e boa semana

clarissa disse...

bom, achei que era uma pizza de guisadinho.